domingo, 21 de setembro de 2008

PSICOLOGIA DA VIDA ADULTA


Estou lendo um livro que trata das delicadezas...
E o autor fala muito na delicadeza que se adquire com a idade, com o amadurecimento. Uma delicadeza que pode ser feroz, cruelmente delicada, devastadoramente...
..." Entre pessoas maduras, é diferente. Desbrava-se o conhecido. O conhecimento é re-conhecimento. Não é o espaço, o tempo é que imorta. Estar junto é como estar ao redor de uma fogueira recontando a própria vida. Isto se parece também com guerreiros meio exaustos, com meia glória apenas, contando fragmentos de vida, reachar em nós a imagem de ontem e reter um pouco o presente que se esvai. Tem, de certo modo, o sentido de carpediem. Um carpe diem meio retroativo, olhando o retrovisor. Estamos curtindo o presente densamente, como quem toma um velho e bom vinho."...
Affonso Romano de Sant'Ana, pg 12
Do livro: Tempo de Delicadeza

É um tanto nostálgico! Talvez os adultos sejam nostálgicos...
Coisas como "The road not taken", que é um poema de um outro autor, que agora não lembro o nome, em que fala sobre os caminhos que não tomamos. Chega-se aos questionamentos sobre como poderia ser se naquela curva ou encruzilhada tivéssemos tomado este ou aquele caminho. O sentimento de não ter aproveitado todos os caminhos que surgiram, como se isso fosse possível. Como se nesta etapa da vida quiséssemos recuperar algo que não foi vivido intensamente.
Talvez por isso tantas mudanças... Tantas mães e pais-irmãos ou até mais imaturos.
Não levanto o mérito da questão...
Os julgamentos são imprecisos. Jogando com as palavras eles não são determinantes nem necessários.
As coisas mudam." Sou do tempo em que a geladeira era branca e o telefone era preto."Frase de Rubem Braga.
Estamos na idade de enfrentar o tempo, de encontrar-se consigo mesmo e escolher quais belezas ainda restam para nos preencher.

Um comentário:

Suelen Assunção disse...

Que belíssima reflexão, Sandra!
Retrata a preocupação que estás tendo contigo mesma. Com tuas escolhas, caminhos tortuosos e que, por vezes, tornam-se frustrantes.
Mas terminaste bem: "Estamos na idade de enfrentar o tempo, de encontrar-se consigo mesmo e escolher quais belezas ainda restam para nos preencher."
Gostei.
Beijão no coração
Suelen - tutora da sede - Seminário Integrador V