domingo, 15 de novembro de 2009

O ALUNO DA EJA


“Jovens e adultos como sujeitos de conhecimento e aprendizagem”


A escola precisa estar adaptada para um grupo diferente de alunos , com currículos, programas e métodos de ensino, específicos. Os professores da EJA devem receber orientações na sua formação mais voltadas ao tipo de aluno com que vai lidar, conhecendo suas etapas de desenvolvimento, seus conhecimentos e habilidades. O aluno precisa se engajar na sua escolarização, conhecendo as regras e a linguagem da escola. O trabalho em educação e, em especial, na EJA deve ser de construção envolvendo todos os integrantes do ambiente escolar do meio social em que a escola está inserida.
O objetivo é desenvolver um trabalho que aproveite as características dos alunos, suas diferenças, a pluralidade cultural, as concepções, as experiências, que estimule a autoestima, motive a busca das respostas e a pesquisa.
O adulto está inserido em um mundo onde o trabalho e as relações interpessoais são diferentes e específicas. Ele traz uma história mais complexa com experiências e conhecimentos acumulados, onde já consegue refletir sobre o mundo, sobre si mesmo e sobre as outras pessoas. Ele já tem uma opinião formada, seus conceitos de vida já estão estabelecidos. Ele conhece seus limites. E suas dificuldades.
O aluno adulto está envolvido com responsabilidades no trabalho, na sobrevivência de si e de sua família. Ele tem que responder pelos seus atos e pelas conseqüências que eles podem ter. Os currículos e métodos da escola muitas vezes são infantilizadores, longe da realidade deste aluno, fazendo com que os índices de desistência cresçam pela desmotivação em permanecer na escola, provocando bloqueios na aprendizagem, e, reforçando os sentimentos de vergonha e fracasso.
O aluno da EJA está ali por opção, mas nem sempre a escola corresponde a estas expectativas.
O aluno adulto é, geralmente, o imigrante que chega as grandes metrópoles vindo de áreas rurais empobrecidas, filhos de trabalhadores rurais não qualificados e com baixo nível de instrução escolar. Ele mesmo esteve pouco tempo na escola e trabalha em ocupações urbanas não qualificadas, que busca a escola tardiamente.
O jovem é um excluído da escola. É mais ligado e envolvido com o mundo letrado e escolarizado.
Eles são aqui colocados como os alunos “não-crianças”.
Estes alunos vão para a escola em busca de condições melhores de vida. Foram excluídos, mas tem consciência de seus direitos. Colocam-se na posição de lutadores pela seu crescimento como seres humanos e como profissionais, que conhecem sua situação de desvantagem social mas que querem resgatar seus valores enquanto cidadãos.

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