
" SER ALFABETIZADO NÃO É SER LIVRE; É ESTAR PRESENTE E ATIVO NA LUTA PELA REIVINDICAÇÃO DA PRÓPRIA VOZ, DA PRÓPRIA HISTÓRIA E DO PRÓPRIO FUTURO" (Giroux,2009)
A questão da língua passa para o primeiro plano,significa a reorganização da hegemonia cultural.A alfabetização é uma prática social vinculada a configurações de conhecimento e de poder, à luta política e cultural pela linguagem e pela experiência. A alfabetização, como construto radical, devia radicar-se em um espírito de crítica e num projeto de possibilidade que permitisse às pessoas participarem da compreensão e da transformação de sua sociedade.
O analfabetismo não é meramente a incapacidade de ler e de escrever; é também um indicador cultural para nomear formas de diferenças dentro da lógica da teoria da privação cultural. O importante a reconhecer é a necessidade de reconstituir uma visão radical da alfabetização em torno da importância de nomear e transformar as condições ideológicas e sociais que dificultam a possibilidade de existirem formas de vida comunitária e pública organizadas em torno de uma democracia crítica. . A alfabetização como uma construção histórica e social tanto para absorver o discurso da dominação, quanto para definir a pedagogia crítica como uma forma de política cultural no desenvolvimento de uma pedagogia radical da voz e da experiência.
A alfabetização crítica é tanto uma narrativa para a ação, quanto um referente para a crítica. Ser alfabetizado é estar presente e ativo na luta pela reinvindicação da própria voz, da própria história e do próprio futuro.
Pressuposto básico da alfabetização crítica, o reconhecimento do que o conhecimento não se produz unicamente na cabeça dos peritos, dos especialistas em currículos, dos administradores escolares e dos professores. É um ato relacional. Significa ser sensível as atuais condições históricas que contribuem para as formas de conhecimento e de significado que os alunos trazem para a escola.
O que está em jogo aqui é a noção de alfabetização que estabelece relações de poder e de conhecimento não apenas ao que os professores ensinam, mas também aos significados produtivos que os alunos, com todas as suas diferenças culturais e sociais, trazem para a sala de aula como parte da produção de conhecimento e da construção de identidades pessoais e sociais através de um engajamento interativo que se expressa pelo processo de escrever, falar, debater e lutar a respeito do que se considera conhecimento legítimo.
As linguagens são múltiplas, mas o que não devemos esquecer é que atrás de cada expressão, por mais caracterizada que seja, existe uma pessoa diferente que quer ouvir, entender e também ser escutada.
Cada pessoa tem suas subjetividades e essas devem ser valorizadas e respeitadas no processo de alfabetização, caso contrário quem aprende a ler pode se recusar a entrar num mundo muito diferente das suas ideologias e assim se recusar a aprender. Para essa luta, é fundamental a necessidade de redefinir a natureza do trabalho dos professores como intelectuais transformadores.
É preciso também levar em conta não somente o que e como ensinar, mas as condições materiais que possibilitam e dificultam o trabalho pedagógico.
Concluindo então é necessário que haja muitas mudanças. A história dos livros precisa ser realmente estudada e compreendida dentro da sua época.
O vocábulo grego Paidéia significa tanto educar como civilizar. Na história passou a ser o mesmo que cultura grega. A alfabetização é o primeiro passo para a educação e um degrau importante no sentido de tornar-se civilizado.
Para Paulo Freire o alfabetizando vai se descobrindo como homem, sujeito de todo o processo histórico, expressando juízos e conscientizando-se.
“Alfabetizar é ensinar o uso da palavra.”( Freire,1983).
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