ORGANIZAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL

A vida dos estudantes e a política de reforma curricular
Há muitos anos,tem-se tornado cada vez mais evidente que o currículo de muitas escolas em diversos países não está suficientemente ligado à realidade de vida dos alunos. A alienação escolar, os “problemas disciplinares” que os professores enfrentam nas escolas de áreas mais pobres – todos estes sintomas de um conjunto de experiências escolares que marginalizam tanto a vida dos alunos quanto sua compreensão das coisas.
Só será possível que as escolas façam diferença para esses jovens pela conexão com realidades.
Existe uma longa história de trabalho educacional crítico e criativo no Brasil e em outros lugares que procuram superar esses problemas. Entretanto,muitos educadores e dirigentes estão pressionando em favor de soluções que envolvem posições neoliberais e neoconservadoras. Padronização do currículo vem acompanhada de crescente ênfase na testagem nacional e perda de controle local..
Desenvolver programas de ensino mais responsivos e estratégias que realmente funcionam nas áreas mais desafiadoras deve ser o resultado de discussões democráticas e substantivas de longo prazo, envolvendo todos aqueles que são afetados por essas transformações.
O currículo sempre foi o resultado de tensões, lutas e conciliações. A retórica do legado intelectual comum é apenas isto: retórica. As questões mais duras – o que e o conhecimento de quem deve ser ensinado, quem deve decidir, através de que mecanismos, como o êxito deve ser determinado a curto e longo prazo – não são facilmente resolvidas.
Fazer pronunciamentos sobre o que os professores devem fazer sem ter dedicado tempo suficiente ás realidades das escolas, que trabalham com tanto afinco em condições econômicas e educacionais difíceis.
Gramsci deixa muito claro que esse conhecimento a crianças carentes também precisa ser reorganizado e intimamente conectado aos problemas sociais e intelectuais enfrentados por aqueles que têm menor capital e econômico, social e cultural na sociedade.
Em vez de pensar sobre o “currículo comum” como algo permanente ou de longa duração, precisamos ver sua função de perspectiva mais sociais, discussões sobre o conhecimento de quem deveríamos ensinar.
O modo mais sábio de pensar sobre uma cultura comum não é necessariamente o conteúdo que o constitui, mas o próprio processo de deliberação democrática sobre o que deve ser ensinado (Williams, 1989).
Lendo este artigo da Revista Pátio fiquei um tanto perplexa. Em muitos aspectos. Interessante a visão do autor do artigo sobre Currículo e sua dimensão nas escolas onde estamos acostumadas a trabalhar e como nos deparamos com profissionais que atuam e não conhecem essa realidade curricular.
O envolvimento dos profissionais da educação vem sendo prejudicado pelas imposições dos nossos governantes que dificultam os vínculos com seu local de trabalho. Também nota-se o despreparo de certos profissionais para lidar com a diversidade que nos deparamos.
Bem claro fica as dificuldades que se tem ao lidar com nossos alunos, porém deixa de lado o aspecto político da questão. Quais os interesses que envolvem este descaso com as instituições que atendem estes jovens sem perspectivas de melhores condições de vida.
“Padronizando o currículo” deveria significar: oportunizar ao aluno menos favorecidos os mesmos conhecimentos, o mesmo acesso a cultura, a mesma inserção no elitismo curricular.
Conhecemos a doença, temos infinitas receitas, mas a cronicidade do fracasso demonstra que não estamos caminhando para uma solução.
Outra vez a perplexidade diante da proposta simples e conhecida dos educadores de que as discussões e as avaliações precisam da participação de quem efetivamente está envolvido na questão educacional. O artigo é simples, completo, bem elaborado e apresenta uma visão esclarecedora da situação da educação e a urgente reformulação do nosso currículo como norteador, estimulador e único caminho para a ruptura desta desigualdade social em que estamos envolvidos.
Um comentário:
Porque as fontes mudam de tamanho?
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